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O Antilhano ou Antiliano é uma língua artística amadora criada por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa para o universo imaginário dos Outros 500.


História (ficcional) Editar

Roderico, último rei visigodo da Hispânia (também conhecido como Dom Rodrigo), foi vencido na batalha de Guadalete pelo general árabe Tarik ibn Ziad no ano de 711 e em 713 foi morto na batalha de Segoyuela, o que abriu o caminho para a conquista de quase toda a Península Ibérica pelos muçulmanos.

Antilha

Bandeira de Antilha

Em 714, na tentativa de fugir ao domínio mouro, sete bispos embarcaram da costa ocidental da Península com um grupo de fidalgos para tentar alcançar uma terra extremamente fértil que existiria, segundo entenderam de antigos textos atribuídos a mercadores cartagineses, do outro lado do Atlântico. Seus contemporâneos não mais ouviram falar deles e julgaram que haviam se perdido no Mar Oceano.

Na realidade do universo dos Outros 500, as sete galeras, apesar de mal adaptadas para a navegação em alto mar, conseguiram, graças a ventos excepcionalmente favoráveis, alcançar depois de seis semanas uma ilha chamada pelos nativos de Kiskeya ou Haiti (Hispaniola), que foi identificada pelos recém-chegados com a legendária Antília. Nela desembarcaram cerca de trezentos colonos famintos, mas vivos e bem armados, ainda com alguns cavalos, éguas, bois e vacas.

Explorações posteriores fizeram-nos descobrir a leste a ilha de Borinkén (Porto Rico), que chamaram de Roullo; a noroeste a ilha de Kubanakán (Cuba), que chamaram de São Atanágio e a sudoeste a ilha de Jamaica, que chamaram de Tanmar. Cada um dos sete bispos fundou uma cidade – Anna, Antioul, Anselli, Anseto, Ansolli, Ansoldi e Cori – e, seja para que nenhum dos seus pensasse em retornar à Espanha, seja por que os materiais eram necessários à sua sobrevivência no local, desmantelaram as embarcações e seu cordame e lá permaneceram.

Gradualmente, os antilianos ou antilhanos dominaram ou absorveram os nativos e deram início a uma nova nação, que colonizou as ilhas vizinhas. Contatos voluntários ou acidentais com as civilizações nativas do continente – os toltecas no vale do México, os maias na América Central e o império Tiwanaku-Wari nos Andes – resultaram na difusão pelo continente da escrita, da roda, da criação de gado, da equitação e de técnicas metalúrgicas, agrícolas e militares, acelerando o desenvolvimento das culturas indígenas.

Entre 1000 e 1300, os antilhanos chegaram a dominar a península que chamaram de Florida e a bacia do Orenoco em busca de suas reservas de ouro e ferro, mas fracassaram na sua tentativa de invadir o Iucatã e dominar os maias. Em 1310, porém, a rebelião dos nativos da região do Orenoco resultou no surgimento de uma nova civilização indígena no Planalto das Guianas, o império de Manoa. Quando os portugueses fizeram seu primeiro contato com civilizações americanas estas, de modo geral, já estavam em plena idade do Bronze e já conheciam o ferro, embora os antilhanos conseguissem manter o monopólio de sua fabricação.

Em 1458, um navio português, arrastado por uma tempestade, chegou a Antilha, perto de Anseto. Quando os marinheiros desembarcaram, foram levados pelos habitantes da ilha a seu templo, onde verificaram que eram cristãos, observavam o cerimonial romano e possuíam ouro em abundância. Os nativos lhes pediram que não partissem antes da chegada de seu senhor, então ausente, que os receberia principescamente e lhes ofereceria muitos presentes. Mas o capitão Gonçalo Velho e os marinheiros, pensando que aquela gente não queria ser conhecida e pudesse tomar ou destruir o seu navio, retornaram a Portugal com a esperança de serem recompensados pelo infante D. Henrique. Este os admoestou severamente e ordenou que retornassem à ilha, mas o capitão, amedrontado, fugiu com o navio e seus homens.

O isolamento de Antilha em relação à Europa, porém, estava com os dias contados. Em 12 de outubro de 1482, Salvador Fernandes Zarco, o Colombo, redescobriu a ilha de Antilha à qual Gonçalo Velho Cabral acidentalmente aportara e estabelece relações com o rei Witiza V.

Em 1483, a segunda expedição de Colombo descobriu as costas do continente que se estende a oeste de Antilha e o poderoso Império Méxica, governado então pelo tlatoani Awízotl. Em 1487, enquanto outros navegadores começam a estabelecer missões comerciais e diplomáticas junto a Witiza e Awízotl, sua terceira missão explora as costas atlânticas do novo continente até chegar à Patagônia, no extremo Sul. Após esse extenso mapeamento, o novo continente (chamado de Karitaba pelos indígenas de Kiskeya) passa a ser conhecido com o nome de Colômbia.

A conservadora estrutura de poder de Antilha, porém, retardou a absorção de novas tecnologias, o que rapidamente desequilibra a balança do poder no mar do Caribe. A partir de 1488, o monopólio antilhano do ferro é rompido pelo comércio português e em 1502, os méxicas, contando com novas armas e técnicas de navegação, conquistam a Florida aos antilhanos e fazem uma tentativa de invadir Kubanakan. Em 1504, o ameaçado rei antilhano pediu ajuda aos portugueses que, estabelecidos em Santa Cruz desde 1500, já haviam virtualmente anexado Manoa. O império português dissuadiu os méxicas de invadir o reino antilhano, informalmente colocado sob sua proteção em troca do controle português das Pequenas Antilhas, da ilha da Trindade e de Tobago.

A decadência do que restava de Antilha foi interrompida com a ascensão de Eurico III em 1510 que, para restaurar a prosperidade do reino, estimulou a importação de escravos africanos e o plantio de açúcar e algodão para atender à demanda européia, apesar de sua dependência da marinha mercante portuguesa colocá-lo em desvantagem relativamente à colônia de Santa Cruz.

O Papa procurou reincorporar os antilhanos à Igreja Católica, mas fracassou: o conservador clero antilhano, aferrado às crenças e costumes da baixa Idade Média e suas liberdades tradicionais (incluindo, por exemplo, a não-obrigatoriedade do celibato), recusou a ortodoxia da Contra-Reforma e manteve sua independência.

Em 1590, porém, a guerra entre Portugal e as potências européias virtualmente bloqueia o comércio transatlântico de Antilha, que sob o rei Recesvinto II, praticamente se isolou do resto do mundo e regrediu ao tradicionalismo de seus antepassados. O comércio internacional foi rigidamente controlado e submetido a pesadas taxações; as armas de fogo foram proibidas. À margem dos conflitos internacionais, Antilha sobreviveu como um reduto da Idade Média em pleno século XVIII.

Fonologia e escrita Editar

O antilhano é escrito com o alfabeto romano tradicional, mais o W, sem letras minúsculas.

A B C D E F G H I K L M N O P Q R S T V W X Y Z

Com as seguintes observações:

  • C: pronunciado como a consoante africada [ʧ] antes de e e i; em outros casos, soa como /k/.
  • E: representa dois fonemas vocálicos distintos: /e/ (também representado por Œ) e /ɛ/ (também representado por Æ)
  • G: pronunciado como a consoante africada [ʤ] antes de e e i; em outros casos, soa como /g/.
  • I: pronunciado como a consoante africada [ʤ] no início de sílabas quando seguido de vogal; em outros casos, pronuncia-se como a vogal /i/
  • K: usado apenas para escrever empréstimos de línguas indígenas, africanas e do lusobrasileiro, para representar o som de /k/ antes de e e i.
  • O: representa dois fonemas vocálicos distintos: /o/ e /ɔ/
  • Q: soa como /k/
  • R: vibrante simples /ɾ/
  • S: soa sempre como /s/
  • T: nas terminações tia, tio e tione, soa como /ʦ/
  • V: pronunciado como a consoante fricativa [v] no início de sílabas quando seguido de vogal; pronunciado como a aproximante /w/ quando precedido de Q; em outros casos, pronuncia-se como a vogal /u/
  • W: pronunciado como a aproximante /w/, usado em palavras de origem germânica (visigoda), indígena ou africana
  • X: pronunciado sempre como /ks/
  • Y: pronunciado como /j/ no início de sílabas quando seguido de vogal; também forma dígrafos (ver abaixo)
  • Z: pronunciado como /z/

Dígrafos:

  • CY: representa o fonema [ʧ] quando não precedido de e ou i, usado em empréstimos de outras línguas.
  • SC: lê-se como /ʃ/ e representa esse fonema em empréstimos de outras línguas.

Vocabulário Editar

O antilhano é fundamentalmente latim vulgar da Península Ibérica do século VIII, enriquecido com palavras das línguas indígenas das Antilhas, principalmente taino, caribe e guanahatabey. Contam-se também alguns empréstimos de línguas trazidas pelos escravos africanos, como ioruba, jeje e umbundu, do náuatl, do maia-iucateca e do português ou lusobrasileiro.

Há também várias palavras de origem germânica (visigoda), inclusive grande parte dos nomes da nobreza. Estão totalmente ausentes, por outro lado, os empréstimos do árabe, salvo umas poucas palavras transmitidas pelo lusobrasileiro.

Exemplos:

  • BARBICU, churrasco (taino)
  • BATATA, batata-doce amarela (caribe)
  • BOHITI, pajé, xamã (taino)
  • BONIATA, batata-doce branca (caribe)
  • BLU, azul (germânico)
  • BRUNO, marrom (germânico)
  • CABALO, cavalo
  • CAIMAN, jacaré (taino)
  • CANE, cão
  • CANOA, canoa (taino)
  • CAPITIA, cabeça
  • CARITABA, a América, o continente (taino)
  • CYAGARA, espécie de lagostim (taino)
  • FEUTO, feudo
  • HAMACA, rede de dormir (taino)
  • OMEM, homem
  • HURACAN, furacão (taino)
  • JALO, amarelo (germânico)
  • MANO, mão
  • MULIERE, mulher
  • NORTE, norte (germânico)
  • OSTER, leste (germânico)
  • PAPA, batata (do quéchua, via lusobrasileiro)
  • PEDE, pé
  • PIRAGUA, piroga (caribe)
  • SUTE, sul (germânico)
  • TABACU, tabaco (taino)
  • TIBURON, tubarão (taino)
  • WACAMAYO, arara (taino)
  • WESTER, oeste (germânico)

Veja também Editar

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