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Bolak

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Uma margarida azul representa o Bolak

O Bolak ou Língua azul é uma língua auxiliar a priori criada pelo comerciante francês Léon Bollack em 1899.

O primeiro nome da língua evidentemente se baseou no do próprio autor, mas na própria língua significa "feita pelo gênio": bol é "gênio" e ak um sufixo que significa "feito por".

O segundo nome, Língua azul ou Langue Bleue, é uma alusão ao argot (gíria francesa), também conhecido como langue vert (língua verde), mas Bollack disse tê-lo adotado também porque "o céu simboliza a fraternidade entre os homens".

Construção Editar

A base da constituição do bolak é a "lei dos 8-1", assim formulada:

  1. 1 letra = 1 som;
  2. 1 palavra = 1 sentido;
  3. 1 classe = 1 aspecto;
  4. 1 frase = 1 construção.

A primeira dessas quatro equações significa uma simplificação da pronúncia e da ortografia, fazendo corresponder a cada letra um só som e vice-versa, como no Esperanto. A segunda envolve a supressão dos homônimos e dos sinônimos. A última visa a evitar as ambiguidades provenientes de incertezas de construção.

A grande inovação consiste na terceira equação, segundo a qual cada classe de palavras deve ter aspecto bem diferenciado.

Morfologia Editar

As palavras do bolak são divididas em duas categorias: motules, de sentido vago e granmots, de sentido definido.

A cada subclasse de motules, compostas de três letras no máximo, corresponde um aspecto definido:

  • uma vogal, às interjeições;
  • duas vogais ou duas consoantes, às palavras-moldura (negação, interrogação etc.);
  • uma consoante entre um i e um o, aos conectivos (preposições e conjunções);
  • uma consoante entre um a e um e, aos designativos (pronomes).

Os granmots dividem-se também em quatro subclasses:

  • nomes e numerais,
  • verbos,
  • atributivos (adjetivos) e
  • modificativos (advérbios).

Todo substantivo começa e acaba por consoante; todo verbo é derivado de um substantivo com a adjunção de uma vogal; todo adjetivo e advérbio, de um verbo com a adjunção, respectivamente, de um d ou de um tch (grupo designado por um sinal especial).

O bolak estabelece uma distinção entre as palavras "em estado natural" (como se encontram no dicionário) e "em estado formal" (empregadas e frase, transformadas por derivação etc.). Para mostrar que a palavra se acha em estado formal, usa-se a letra u, que não é considerada vogal, mas sim utensílio gramatical: no começo do nome indica feminino, no fim, plural, no começo do verbo, anterioridade; no do adjetivo, estado de igualdade.

Com exceção do u, não se usam prefixos. Todo sufixo deve ser acrescentado à forma integral da palavra.

Ao lado dos tempos presente, futuro e passado, o bolak tem um quarto tempo, "eterno", para exprimir ação sem designação de tempo preciso.

Regra da Margarida Editar

Essa regra foi sugerida a Bollack pelo hábito das moças francesas (equivalente ao mal-me-quer, bem-me-quer) de despetalar a margarida, dizendo, ao cair das pétalas sucessivas: "nada, um pouco, muito, apaixonadamente". Substituindo cada um desses advérbios por uma vogal, respectivamente a, o, e, i, o bolak submete a gradação semelhante cada substantivo coletivo ou abstrato, bem como cada verbo.

Assim, por exemplo, a palavra lov, "amor", devidamente "margaritada", dará:

  • ilov, idolatria;
  • elov, paixão;
  • olov, pendor;
  • alov, indiferença.

O verbo lovo dará, respectivamente, ilovo, elovo, olovo e alovo.

Ao lado de cada palavra "margaritável", Bollack mandou imprimir no dicionário um sinal especial - uma pequena margarida - e propôs aos partidários do movimento usarem margaridas azuis na botoeira .

Vocabulário Editar

Bollack elaborou primeiro todo o dicionário de palavras imagináveis sem pensar no sentido: depois pronunciava alto esses fonemas e atribuía a cada um o sentido que eles lhe sugeriam. Com esse método, formou vocábulos como:

  • bab: bebê do sexo feminino
  • balm: perfume
  • bart: barba
  • basr: baixo-relevo
  • bons: bom-senso
  • bilb: bilboquê (jogo de cartas)
  • binf: sarau em benefício dos pobres

O bolak não admite homófonos, nem palavras compostas, porque Bollack achava que as línguas caminham, em seu progresso natural, para a análise e não para a síntese. Entretanto, calculou que suas regras de formação previam 144.139 palavras básicas. Considerando que existem 25 terminações obrigatórias (sufixos) e 33 terminações secundárias, além da "regra da margarida", o número de palavras possíveis se torna imenso.

Referências Editar

  • Bollack, Léon. La Langue Bleue - Bolak, Langue Internationale Pratique. Paris: Editions de la Langue Bleue, 1899.
  • Rónai, Paulo. Babel & Antibabel. São Paulo: Perspectiva. 1970, págs. 81-86


Ligações externas Editar

  • La Bolak-a sen peno (em Esperanto) [1]
  • Wikipédia (Francês) - Bolak [2]

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