Lista de métodos de morfologia auto-segregatória
De Conlang
Esta página é designada para uma lista de métodos de morfologia auto-segregatória: maneiras de criar uma conlang de modo que os limites entre morfemas, entre palavras ou ambos sejam sempre óbvios e isentos de ambigüidade.
Eis algumas discussões sobre este assunto (em inglês):
- Discussão iniciada por Rex May em Março de 2006 na lista de correio AUXLANG
- Discussão iniciada por Jim Henry em Abril de 2006 na lista de correio CONLANG
[editar] A lista
- Todos os morfemas têm o mesmo tamanho (todos são de uma sílaba, ou talvez todos sejam de duas sílabas).
- Um subconjunto dos fonemas da língua é designado como um conjunto inicial (a), e o resto dos fonemas como o conjunto subseqüente (b). Uma palavra deve começar por um ou mais fonemas do conjunto inicial e terminar com um ou mais do conjunto subseqüente. (Tceqli usa esse método, com oclusivas e fricativas no conjunto inicial, e vogais, nasais e líquidas no conjunto subseqüente.) Palavras podem ter as formas ab, aab, abb, aaab, abbb, etc., e os limites entre morfemas ocorrem sempre que um fonema b é seguido de um fonema a. Algumas variações desse método são:
- Você poderia dividir os segmentos fonológicos nas seguintes classes: a) Segmentos que podem ser o primeiro segmento de um morfema, mas não podem ser nenhum segmento que não o primeiro. b) Segmentos que não podem ser o primeiro de um morfema, mas podem ser qualquer outro que não o primeiro. Então os morfemas terão o formato a, ab, abb, abbb, abbbb, ... etc. Limites de morfemas ocorreriam logo antes de cada a.
- Você poderia dividir os segmentos fonológicos nas seguintes classes: c) Segmentos que podem ser o último de um morfema e mais nenhum que não seja o último. d) Segmentos que não podem ser o último, mas podem ser qualquer que não seja o último. Então os morfemas ficarão no formato c, dc, ddc, dddc, ddddc, ... etc. Os limites entre morfemas ocorreriam logo antes de cada c.
- Se você quer que cada morfema tenha no mínimo dois segmentos, você poderia dividir os segmentos nas seguintes classes: e) Segmentos que podem ser o primeiro ou último de um morfema, mas não podem ser qualquer outro que não o primeiro ou último. f) Segmentos que não podem ser o primeiro ou último, mas podem ser qualquer outro que não o primeiro ou último. Assim, os morfemas terão o formato ee, efe, effe, efffe, effffe, ... etc. (Sem o mínimo de dois segmentos, ee poderia ser "e, e" ou "ee". Limites de morfemas ocorreriam logo depois de cada fe e logo antes de cada ef, mas uma cadeia de morfemas ee deveria ser interpretada globalmente; você não saberia como interpretá-la a menos que você tivesse a expressão inteira.
- Um subconjunto de vogais é usado apenas em sílabas iniciais ou finais, enquanto outras vogais são usadas em outras sílabas. Konya fazia isso, com /e i o u/ em sílabas iniciais e /a/ na segunda e nas subseqüentes sílabas de um polissílabo. Ou poderíamos usar vogais puras exceto em sílabas finais, que deveriam ter um ditongo; ou o mesmo com vogais posteriores e anteriores, ou arredondadas e não-arredondadas, ou nasais e orais...
- O fonema inicial indica o número de sílabas que seguem (como na Plan B de Jeff Prothero).
- Exija que o último segmento de cada morfema codifique de alguma forma o tamanho do morfema. Isso traz a desvantagem de exigir que você interprete uma expressão de frente para trás.
- Todos os morfemas começam e terminam por uma consoante e não há encontros consonantais no meio deles. Um encontro consonantal, portanto, marcará um limite de morfemas.
- Inverso do anterior: todos os morfemas/palavras começam e terminam por vogal, e não há seqüências de duas vogais no meio. Duas vogais seguidas marcam o limite entre morfemas. (Ilomi usa uma variação disso, com duas vogais seguidas indicando uma divisão de palavras e /n/ entre vogais marcando um limite de morfemas dentro de uma palavra composta.)
- Modificação de algum dos métodos acima: Evitar que vogais adjacentes se arrastem formando ditongos, ou possíveis encontros consonantais complicados em limites de palavras/morfemas, reservar uma consoante particular (talvez /?/ ou /n/ ou /l/) para marcar limites entre morfemas VCV... ou uma vogal particular (talvez schwa) para marcar limites entre morfemas CVC....
- Marcação por tom ou acento para distinguir uma sílaba inicial ou final da seguinte ou anterior, e talvez distinguir monossílabos de sílabas iniciais de palavras polissilábicas.
[editar] Alternativas
E o Livagiano de Rosta usa outro método que, apesar de não ser uma morfologia auto-segregatória no sentido mais restrito, parcialmente serve para o mesmo propósito com menos restrições para a forma fonológica das palavras. No entanto, requer um conhecimento completo do léxico para fazer interpretações sem ambigüidade. A chave é que nenhum morfema existente deve ter a mesma aparência de parte de um prefixo ou sufixo de outro morfema existente. Então, por exemplo, se na expressão "kesumalipe" você reconhecer "kesu" e "pe" como morfemas familiares, você sabe que isso deve ser "kesu" seguido de "ma li" ou "mali" seguido de "pe"; o fato de que "kesu" é um morfema real numa língua que segue este critério significa que não pode haver outro morfema "kesuma" ou "kesumali", e que não pode haver nenhum morfema como "lipe" ou "malipe". Mas se você apenas aprendeu a fonologia da língua e ainda não conhece muito vocabulário, você não pode deduzir os limites de morfemas a partir da fonotática da palavra; você teria que começar procurando um "k" no léxico, depois "ke", depois "kes", até que você encontrasse "kesu"; depois começaria a procurar "m", "ma", etc.
