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Modo (em inglês, mood) é, em lingüística, a categoria verbal que expressa a atitude do falante em relação ao status efetivo do que ele vai dizer: certeza (indicativo), incerteza (subjuntivo, interrogativo), desejo (optativo) etc.

O modo mostra, portanto, o evento em seus diversos graus: realidade, desejo, contingência. Tem sempre um caráter subjetivo, porque não apresenta a essência do real, mas apenas denota como o falante concebe a realidade ou deseja que seja concebida, sendo, assim, uma categoria relativa por depender do ponto de vista do falante.

Desta forma, alguma coisa que não esteja na realidade pode expressar-se como algo real pelo modo indicativo, bem como alguma coisa que pertença ao mundo objetivo pode expressar-se pelo subjuntivo ou pelo interrogativo.

Manifestação Mórfica Editar

Quanto à manifestação mórfica, eles podem apresentar-se sob sistema de afixos ou de formas livres (auxiliares modais).

Modos em diferentes línguas Editar

As línguas divergem muito não só quanto aos modos que usam, mas também quanto à sua expressão mórfica. Das línguas indo-européias antigas, o latim tinha três (indicativo, subjuntivo e imperativo), o grego, quatro (indicativo, subjuntivo, imperativo e optativo). Das modernas, as latinas apresentam os mesmos três do latim e o alemão, também os mesmos três.

Enquanto o japonês tem essencialmente dois modos (potencial quase passivo e factivo), o aranda (língua australiana) tem quatorze modos.

Em cree (língua indígena da América do Norte, do grupo algonquino), os modos dizem respeito ao regime dos verbos; já em groenlandês, a noção de tempo é depreendida do contexto, ao passo que é básica a de modo na oração principal (ex.: modo presente - evento sucedido; modo optativo - evento não sucedido; modo interrogativo - evento duvidoso).

Em quéchua (língua indígena sul-americana), os modos se confundem com o aspecto e são nove: causativo, recíproco, reflexivo, estativo, precativo, intensivo, freqüentativo, diretivo e desiderativo).

Tipos de Modos Editar

Classificação lógica Editar

As gramáticas de base lógica procuram reduzir os modos a três tipos fundamentais de acordo com as categorias filosóficas de realidade (indicativo), possibilidade (subjuntivo) e necessidade (imperativo).

Mas, se se aceita que toda frase é a expressão de um juízo, essas três categorias podem apresentar-se sob a manifestação mórfica de um só modo. Por exemplo, em português:

  • A menina saiu.
  • Podes sair.
  • Deves sair.

Por outro lado, se comumente o indicativo é o modo da realidade e o subjuntivo, enquanto potencial, o da possibilidade, o imperativo nem sempre é o da necessidade.

Escala de classificação Editar

Em vista da variedade dos modos possíveis, há quem sugira três escalas na classificação dos modos:

  • desejo e intenção
  • necessidade e obrigação
  • certeza e possibilidade

Realis e Irrealis Editar

Outra classificação divide os modos em duas grandes categorias: realis, que indicam que algo de fato se dá ou não; e irrealis, que indicam que não se sabe se a situação se dá no momento em que o locutor fala.

  • Realis
    • Declarativo, diz que a declaração é verdadeira, sem qualificações.
    • Energético, encontrado nas línguas semitas, indica uma forte crença ou algo que o locutor quer enfatizar.
    • Genérico, faz generalizações sobre uma categoria de coisas, como "coelhos são rápidos".
    • Indicativo, indica orações factuais e crenças positivas.
    • Negativo, expressa uma ação negada.
  • Irrealis
    • Coortativo ou Hortativo, expressa pedido, insistência, súplica, desejo, propósito, encorajamento, intenção ou comando.
    • Condicional, fala de um evento cuja realização depende de alguma condição.
    • Dubitativo, expressa dúvida ou incerteza do locutor sobre o que diz.
    • Eventivo, usado no finlandês, combina potencial e condicional ("eu provavelmente andaria").
    • Hipotético, expressa algo que não se dá, mas é considerado como possível.
    • Imperativo, expressa ordens, pedidos e proibições.
    • Inferencial, transmite informação sobre eventos que não foram diretamente observados pelo locutor, ou que este inferiu.
    • Interrogativo, usado para fazer perguntas.
    • Jussivo, similar ao coortativo, é usado em línguas semitas, mas se dirige apenas à segunda e terceira pessoas, enquanto o coortativo pode ser usado para a primeira.
    • Optativo ou Desiderativo, expressa esperança e desejo e pode ter outros usos que se sobrepõem ao subjuntivo ou ao imperativo. Em finlandês, funciona também como imperativo "formal" ou "arcaico".
    • Potencial ou Tentativo, indica que, na opinião do locutor, a ação ou ocorrência é provável.
    • Presuntivo, usado em romeno para expressar pressuposto ou hipótese em relação ao fato, mas também outras atitudes, tais como dúvida, curiosidade, preocupação, condição, indiferença e inevitabilidade.
    • Subjuntivo ou Conjuntivo, pode indicar eventos hipotéticos ou improváveis, expressar opiniões ou emoções, ou fazer pedidos educados.
    • Admirativo, pode expressar surpresa, dúvida, ironia ou sarcasmo, é encontrado em línguas dos Bálcãs, incluindo búlgaro, macedônio e albanês.
    • Renarrativo, existe em búlgaro e turco, indica eventos duvidosos ou não confirmados.

ReferênciasEditar

Borba, Francisco da Silva. Pequeno Vocabulário de Lingüística Moderna. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1976.

Ligações externasEditar

  • Wikipedia (Inglês) - Grammatical mood [1]

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