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Reversibilidade

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A Reversibilidade (em Esperanto, Renversebleco) é uma característica julgada desejável por alguns criadores de línguas artificiais de fundamento lógico. Os criadores do Ido, principalmente Louis Couturat, formularam o “princípio da reversibilidade” como uma crítica ao Esperanto e uma das principais justificativas para criar uma nova língua auxiliar internacional.

Foram criticados, por sua vez, pelos esperantistas Camille Aymonier e René de Saussure, que formularam o princípio alternativo da Necessidade e Suficiência (Neceso kaj sufiĉo), ou seja, "usar tanto quanto se precisar e tão pouco quanto for suficiente para transmitir o que se quer dizer".

O Esperanto forma, a partir do radical kron, "coroa", o verbo kroni, assim como o português forma “coroar”, o inglês "to crown," o francês "couronner" e o alemão "krönen". Em outros casos, porém, o Esperanto forma o substantivo a partir do verbo. Por exemplo, kombilo (pente) é formado a partir de kombi (pentear), ao passo que forma brosi (escovar) a partir de broso (escova), o que resulta em uma assimetria de aparência ilógica: existe kombilo, mas não *brosilo (embora exista brosado, “escovação”)

O Ido não permite uma derivação direta que forme um verbo como *kronar. O argumento é de que, ao se reconverter o verbo em substantivo, este último deveria ter o significado da ação expressa pelo verbo, ou seja, "coroação" em vez de “coroa”. Essa é uma exigência de caráter lógico, não respaldada no uso das línguas naturais.

Em vez disso, o Ido exige o uso de sufixos para formar verbos a partir de substantivos, como kronizar (coroar), adresizar (endereçar), sudorifar (suar), martelagar (martelar), em vez de kroni, marteli, etc. O Esperanto, em vez disso, constrói o verbo de maneira simples e usa o sufixo –ado para a ação expressa pelo verbo: kronado (coroação), martelado (martelada).

O mesmo se dá com adjetivos: em vez de formá-los com simples adição de –a, como faz o Esperanto com teatra (teatral), harmonia (harmonioso) e roka (rochoso), o Ido impõe a derivação por sufixos como –ala (relacionado a), -oza (que tem) ou –iva (capaz de). A simples derivação por -a, em Ido, pode expressar apenas adjetivos que expressam identidade com o conceito do substantivo - por exemplo, se ruino é uma ruína ruina significa "que é uma ruína".

Por isso, o Ido necessita de um repertório de sufixos muito mais numerosos que os do Esperanto e também mais precisos e específicos que os de qualquer língua natural. Em termos práticos, isso torna a linguagem do Ido mais precisa e isso se mostra útil em muitos contextos. No uso científico, o próprio Esperanto adotou alguns sufixos do Ido. Mas isso também torna a língua mais desajeitada e difícil de usar em um contexto quotidiano.

Mesmo os idistas podem hesitar quanto ao sufixo adequado e o Ido nem sempre os usa de maneira totalmente consistente. Mea (meu), por exemplo, a rigor deveria significar "que sou eu" e o possessivo deveria ser meala (relacionado a mim).

Ligações externas Editar

  • Collinson, W. E. Esperanto and Its Critics [1]

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